Duas Coisas Muito Importantes

Na era da imagem. Sem imagens. Só palavras de duplo sentido. Que desenham qualquer coisa...

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Location: Lisboa, Olissipo, Portugal

Friday, January 23, 2009

Francisco José Viegas…

…não te suporto. É simples. É do coração. Não te suporto. Termino agora «Algumas Distracções», livro que reúne «matéria pessoal» e que «reúne «distracções em relação à “vidinha real”». Defendes que tudo nele inserido pode ser incoerente, ineficaz, impopular e até mesmo injusto. Concordo em absoluto, logo, não te suporto.

É irritante tanta cultura bem esgalhada nas tuas citações. A tua auto-afirmação através dos livros que lês (blargh), já está demodé. O teu anti-esquerdismo militante só me relembra a máxima do Otelo «era mete-los a todos numa praça de toiros»…E por falar em toiros, toca-me a concordância que temos quanto às touradas. O teu despotismo para com o pai da república, o velho Mário Soares, a faca que destrata Jorge Sampaio, o fanfarrão que pintas ao invocares Manuel Alegre. Essa tua distância de Neruda e o cerrar de punhos na hora de bater palmas a Saramago.

Esse teu tripeirismo desinteressado quando lanças um olhar heróico e medroso para o Benfica. Essa tua visão da portugalidade. Esse pensamento pan-lusitano, sendo a língua muito melhor trabalhada quando o sotaque a transforma. O modo como acaricias Geraldo Vandré e pontapeias a moral de Gilberto Gil. O que me irrita que conheças Paulo Francis, Rubem Fonseca, Lúcia Guimarães, Tabajara Ruas, Alfredo Garcia-Roza, João Gilberto Noll, Arnaldo Jabor, entre tantos. E esses tantos resumidos a dois: Nelson Rodrigues e Ruy Castro e todos os outros anjos pornográficos que habitam nas suas cabeças.

Fiquei puto ao perceber que tinhas melhor relação com a Gávea do que eu. Que o Rio de Janeiro é…peanuts…Assim com é pequenino o mundo literário de Machado de Assis,
Henry Miller, Stephen Jay Gold e… James Joyce. Agonia-me o teu à vontade com Dublin. Ou mesmo com Antuérpia, Nova Iorque, Luanda, São Paulo, Baia, Argentina, Suécia, Israel. E aqui, o teu olhar sobre o sionismo. E o judaísmo. E aquela vaca daquela máxima pendurada… «Não perguntes o caminho a quem o conhece, pois de contrário não te poderás perder»…

Francisco não passas de um erudito, que cita literatura numa auto-afirmação social, e lês gajos que misturam José Mourinho com Max Weber. Só por isso e pouco mais, adorava conhecer-te…

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